Escambo Comunitário

A agroecologia vai muito além de um modelo de produção agrícola sustentável; ela se configura como um verdadeiro símbolo de coletividade e cooperativismo. Nas comunidades rurais negras, o cultivo agroecológico é praticado de forma compartilhada, fortalecendo os laços comunitários e valorizando o conhecimento ancestral. 

Um dos elementos centrais dessa dinâmica é o escambo comunitário, que se estabelece como uma prática tradicional de troca de produtos, serviços e materiais entre os membros da comunidade. Por meio do escambo, os saberes e recursos locais circulam de maneira solidária, promovendo autonomia econômica, preservação cultural e resistência social. 

Assim, a agroecologia se apresenta não apenas como uma forma de produzir alimentos de maneira sustentável, mas também como um instrumento de integração social e fortalecimento da identidade comunitária.

Na comunidade Agrovila do Pinhão Manso, destaca-se o cooperativismo de diversos integrantes que reforçam a solidariedade local, dentre eles:

Rita Pedreira

Museóloga (UFBA) e Educadora Ambiental para a Sustentabilidade (UEFS), Rita é agricultora familiar e se interessa pela observação da resistência de uma comunidade que, mesmo ao lado de um Polo Petroquímico, ainda vive da subsistência da terra, almejando a construção de um território de identidade própria.

Residente há 2 (dois) anos na Agrovila Pinhão Manso, a educadora ambiental dedica-se ao cultivo de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), é iniciante nos cogumelos, à atividade de meliponicultura e à criação de galinhas livres.

Para Rita, a Agrovila tem lhes ensinado de maneira significante através das relações sociológicas, embora num território esquecido pelo poder público, mas, que ainda coexiste através da humanidade.

Sideni Bispo de Jesus

Sideni, um dos moradores pioneiros de Pinhão Manso, dedicou mais de duas décadas à comunidade, atuando como um agricultor familiar cujo trabalho transcende a subsistência individual.

Residente há 21 anos na comunidade, ele é um fervoroso defensor do consumo coletivo e partilhado, enxergando essa prática como um elo vital entre os vizinhos. Sua lavoura é diversificada, abrangendo o cultivo de itens essenciais como milho, aipim, coco, laranja, jaca e cana-de-açúcar, além da criação de galinhas livres.

A distribuição dessa produção abundante se concretiza por meio da partilha e da troca de produtos, um método que não só garante a conexão entre os membros da comunidade, mas também atua como um motor para a economia solidária e o fortalecimento coeso das redes comunitárias locais.